Bastidores: Jair Costa
Por: Renato Dalzochio Jr
Em 19/01/2016
Presidente eleito da Federação Gaúcha de Motociclismo fala das metas e desafios que terá à frente da entidade

No dia 29 de dezembro de 2015 a Federação Gaúcha de Motociclismo (FGM) elegeu sua nova diretoria para o período 2016-2019. Na presidência, Paulo Della Flora deu lugar a Jair Silveira da Costa. Jair possui uma relação de longa data com o motociclismo Off Road no Rio Grande do Sul. Foi piloto em décadas passadas e há 17 anos é presidente da Revollution Eventos, empresa que organiza competições de motocross e velocross na região norte do estado. Além disso, foi um dos precursores da fundação da própria FGM em seus primórdios. Nesta semana Jair concedeu entrevista exclusiva ao Cross Clube Brasil, onde falou de seus projetos para o motociclismo gaúcho e também comentou os desafios que vai ter à frente da FGM pelos próximos quatro anos. Confira!

 

Jair, em primeiro lugar obrigado pela entrevista e parabéns por ter sido eleito o novo presidente da FGM. Como você está se sentindo em relação a este novo desafio?

Otimista, mas mantendo uma preocupação em relação ao cenário econômico, pois precisamos repensar as formas de fazer os principais campeonatos do estado.

 

Na eleição passada você concorreu, mas acabou sendo derrotado pelo ex-presidente Paulo Della Flora. Concorrer novamente foi uma decisão que você tomou sozinho? Ou familiares e amigos te influenciaram?

Na realidade, mesmo tendo perdido a eleição passada, o meu relacionamento com o presidente Paulo Della Flora sempre foi perfeito, respeito muito o trabalho realizado por ele. E foi atendendo um chamado dele, no qual me colocou que gostaria de se afastar da FGM para resolver problemas pessoais, que então foi montada está chapa, a qual concorreu. Mas lembrando que sempre mantivemos nossos contatos como forma de respeitar aqueles parceiros da eleição passada, e de comun acordo então surgiu à chapa composta por mim e os demais menbros da atual gestão eleita em 29 de dezembro do ano passado.

 

Quais são os principais desafios que você vai ter pela frente agora?

Viabilizar a realização de bons campeonatos de motocross, velocross e enduro, e estar ao lado das demais modalidades esportivas. Isto requer um grande trabalho de recuperação da credibilidade do esporte no meio dos patrocinadores e principalmente na mídia, hoje um pouco afastada do meio, mas para tudo isso precisamos de bons patrocínios, apoio do poder público local, onde estes eventos serão realizados, profisionalização na produção e montagem dos eventos e muito relacionamento com os pilotos. Difícil sim. Impossível não.

 

E quais são os projetos que você pretende colocar em prática para o motociclismo gaúcho? Na Assembleia que te elegeu você falou em trabalhar para todas as modalidades, recuperar os moto clubes e viabilizar aos pilotos o direito de votar nas assembleias da FGM. Fale-nos mais sobre estes projetos.

Trabalhar na recuperação dos moto clubes locais, em parceria com os promotores ligados a FGM. É uma linha de trabalho assumida ainda na eleição passada e que vai agora nortear nossa forma de ação na administração da FGM neste mandato. Eu tenho um histórico no meio do motociclismo que começou no ano de 1978, com a fundação do antigo Passo Fundo Moto Clube, e a partir dai ajudamos a criar vários moto clubes na região e até hoje sou um dos maiores incentivadores da fundação destas entidades, como forma de organizar os eventos do motociclismo, pois para trabalhar com eventos você precisa ter naquela cidade no mínimo o apoio de um clube, para ter acesso ao poder público e também aos apoiador local. Sem um moto clube local não existe uma boa possibilidade de sucesso de um evento. A FGM tem que ser forte através dos moto clubes e portanto tem a obrigação de apoiar estes clubes, com estruturação, trabalho e principalmente: não ser só um objeto de cobrança de taxas. Com certeza existirão sim estas taxas, mas também uma parceria muito maior.

Trabalhar em parceria com os promotores significa principalmente que a FGM precisa que estes promotores que hoje fazem seus campeonatos regionais ou locais, sejam parceiros da FGM no seu desenvolvimento, sejam parceiros na fomentação do esporte, sejam um braço de extensão da FGM numa determinada região. Mas queremos que estes mesmos promotores procurem trabalhar em harmonia com a FGM nos seus regulamentos e calendários. Hoje a cada dia aparece um novo e bem intencionado “promotor” de eventos, utilizando o motociclismo como forma de trabalho e muitas vezes de renda, mas sem nenhuma regra ou preocupação com o esporte como um todo. Precisamos organizar da melhor forma este cenário. Aqui sim temos uma grande dificuldade, porque existe muita razão na argumentação de cada um. Teremos uma tarefa muito árdua nesta regularização, mas com toda certeza faremos o melhor possível. A FGM tem que ser forte com a ajuda de todos os interessados e participantes deste meio.

 

Direito a voto para os pilotos: Como sempre, tive um bom relacionamento com os pilotos na sua maioria e acho fundamental que os pilotos possam opinar na gestão, na condução da FGM e principalmente sobre os campeonatos dos quais eles mesmos irão participar. Acho que o direito a voto vai trazer uma maior responsabilidade aos próprios pilotos, principalmente nas eleiçãoes da FGM, pois você é responsavel pelas ações daquelas pessoas que você ajudou a colocar lá, dividindo com os moto clubes esta responsabilidade. Este direito será estabelecido conforma preve à legislação da Lei Pelé para o assunto. E isto depende de uma reformulação estatutária na FGM, que se possível, faremos ainda este ano.

 

Num aspecto geral, em que situação você enxerga a FGM neste momento em que está assumindo a entidade?

Com uma grande dificuldade financeira, precisando se reestruturar, precisando se modernizar, precisando de outra forma de gestão. Queremos trabalhar incansavelmente na viabilização de seus projetos, buscar novos patrocinadores, não ficar somente na dependência de um único, trazer para dentro da FGM novas pessoas, novos colaboradores, novas ideias. Não existe uma fórmula mágica para resolver todas as questões, existe um grande trabalho a ser feito.

 

Você mora na região norte do Rio Grande do Sul e tem uma empresa que organiza campeonatos regionais de motocross e velocross, a Revollution Eventos. Como vai ficar a empresa daqui para frente. Vai trabalhar em conjunto com a FGM? E os campeonatos regionais promovidos pela Revollution, vão prosseguir?

A Revollution Eventos tem 17 anos, é uma das mais antigas promotoras ligadas a FGM, nunca na minha vida fiz um evento que não fosse autorizado pela mesma, sempre procurei trabalhar sério na condução do esporte, seguindo regras e trabalhando organizado. A Copa Norte de Motocross e Velocross me permitiram ser uma referência no RS e até mesmo para outros estados e o Brasil, por isso mesmo ela continuará a ser realizada da mesma forma, porém, hoje com uma condução um pouco mais independente pela minha equipe de trabalho, mas com a minha supervisão. Chegamos aonde chegamos por meio deste trabalho e ele não será interrompido.

 

Qual será a postura da FGM em relação às modalidades de enduro e seus respectivos campeonatos? E como será a relação da entidade com a AGPE (Associação Gaúcha de Pilotos de Enduro), que é responsável pela modalidade e seus campeonatos no RS.

A AGPE faz há anos um grande trabalho neste segmento, praticamente um trabalho voluntário, praticado pelos próprios pilotos na execução de suas modalidades. A AGPE continuará fazendo este trabalho com o total apoio da FGM. Nos últimos anos, sempre que possível, ajudei em alguns eventos da AGPE.

A AGPE também está com nova diretoria, com um projeto bem formatado, que deve também mudar o formato do esporte nestas modalidades. Nova diretoria, nova forma de gestão e mais profissionalismo na sua condução. Estes são pontos importantíssimos para o crescimento do esporte e a FGM integraliza seu total apoio.

Assim como a AGPE, no Enduro, a AGEM (Associação Gaúcha de Esportes Motociclísticos) e o GP Gaúcho de Motovelocidade fazem um grande e sério trabalho em prol do desenvolvimento do esporte e passam também a contar com o apoio da FGM.

 

Jair, muito obrigado pela entrevista. O espaço é seu para as considerações finais.

O momento político e econômico é delicado, as dificuldades serão muitas, mas acredito muito no trabalho e competência da nossa nova diretoria. São todos pessoas de grande experiência com o motociclismo. A tarefa é árdua, mas temos que correr atrás dos nossos objetivos.

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