Perfil do Privado: Rafael Zenni
Por: Renato Dalzochio Jr
Em 24/11/2015
Ele foi um dos maiores ídolos dos anos 2000. Hoje convive com outra realidade, mas sem perder a auto estima

Quem começou a acompanhar o motocross brasileiro no final dos anos 90 e início dos anos 2000 com certeza lembra de Rafael Zenni. O paulista de Itu era uma das maiores promessas do motocross brasileiro na época, tendo conquistado diversos títulos nas categorias 60cc e 80cc, atraindo uma legião de fãs, principalmente crianças e adolescentes. Zenni subiu para as categorias profissionais, seguiu pilotando por equipes oficiais de fábrica e conquistando títulos. Mas uma série de lesões fizeram com que sua carreira tomasse outro rumo e hoje Zenni convive com a rotina de piloto privado. Mas se engana quem pensa que isso afetou sua auto estima e bom humor. Na entrevista a seguir ele nos contou mais detalhes sobre isso.

 

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Zenni, muito obrigado por aceitar nosso convite para esta entrevista. Embora você não seja um desconhecido para os fãs mais saudosistas do motocross brasileiro, vou pedir que faça um breve resumo da história da sua carreira. Como você descobriu a paixão pelo motocross?

Eu que agradeço a todos do site Cross Clube Brasil. Comecei por incentivo do meu pai, que sempre amou o motocross. Comecei aos 3 anos, mas não gostava muito, então meu pai desistiu mas ele mesmo nunca parou de andar. Quando completei 7 anos comecei a pedir moto e ele me disse que compraria para eu brincar nos finais de semana. Uns meses depois participei de uma corrida em Itapetininga e terminei em 6°, tinham seis motos (risos). Lembro que o Leandro Silva ganhou a prova e o Ratinho foi o 5°. Depois disso comecei a treinar mais e na outra corrida que participei fiquei em segundo lugar.

 

Quais foram os principais títulos que você conquistou em sua carreira?

10 vezes Campeão Brasileiro de Motocross

14 vezes Campeão Paulista de Motocross

Uma vez Campeão Latino Americano de Motocross

20° colocado no AMA Motocross Lites – (EUA)

2º Colocado no Desafio Internacional Edgel de Supercross

1º Colocado no Gran Prix Pro Tork – MX2

2º Colocado no Gran Prix Pro Tork – MX1

 

Quais campeonatos você está disputando neste ano e como está sendo 2015? A atual temporada está atingindo suas expectativas?

Este estou participando do Arena Cross e do Campeonato Paulista de Motocross. Comecei a me preparar uma semana antes da primeira etapa do Brasileiro em Limeira (SP). Antes disso eu não tinha moto, participei da primeira etapa do Arena com moto emprestada. A meta este ano está sendo diversão, não tenho patrocínio e me dedico mais ao meu Centro de Treinamento. Consegui bons resultados, sou líder do Campeonato Paulista e no Arena Cross consegui uma ótima sexta colocação na penúltima etapa, que me motivou ainda mais.

 

O que você faz além do motocross? Ouvi dizer que você ministra cursos de pilotagem.

Sim, tenho uma escola de motocross na qual me dedico pelo menos quatro dias da semana e uma loja de produtos e serviços off-road.

 

Com qual moto você competiu em 2014 e quem foram seus patrocinadores?

Em 2014 competi com uma moto que era minha mesmo e fui pras corridas apenas por diversão e o grande incentivo de um amigo, Rogério Rodrigues.

 

Ano passado você disputou a última etapa do Brasileiro de Motocross na categoria Nacional 230cc. Conte-nos como foi a experiência de andar com esse tipo de moto.

Eu fiquei sabendo que ia correr três semanas antes da corrida. Foi tudo de imediato, a 230cc que corri eu apenas andei 10 minutos com ela na quinta feira antes da prova. Foi bem legal mas foi tudo muito em cima da hora, nao tivemos tempo de acertar a moto e pra completar a moto quebrou a estrela do câmbio na corrida. Fora isso me diverti muito durante todo o final de semana.

 

Com qual moto você está competindo neste ano e quem são seus patrocinadores na temporada 2015?

A moto que estou competindo eu mesmo comprei e no momento tenho apenas apoiadores. A Zenni Preparações, que é a empresa da minha família, tem me ajudado bastante e tenho outros apoiadores que são: Cobreq, Fox Rodas Itu, IMS e 5inco.

 

Você era uma das maiores promessas do motocross brasileiro quando estava nas categorias 60cc e 80cc, sempre conquistando títulos e pilotando por equipes de fábrica, mas nas categorias profissionais infelizmente sua carreira tomou outro rumo. Você sente alguma mágoa ou frustração por causa disso?

De forma alguma, amo o motocross mas como todos sabem é um esporte de risco. Tive uma sequência de lesões que atrapalharam muito a minha carreira. Em 2006 fiquei cinco meses recuperando de lesão no pulso, em 2007 me lesionei quatro vezes com duas cirurgias e praticamente todos os anos que foram passando eu tinha pequenas lesões que atrapalharam, mas a pior veio em 2012, onde cai na descida de um salto e fui atropelado por duas motos. Resultado: fratura na coluna e duas hérnias. Tudo isso fez parte da minha história e não mudou minha paixão pelo esporte, sei do meu potencial e confio na minha pilotagem, isso pra mim basta.

 

E tendo passado por várias equipes de ponta, como você se sente agora sendo um piloto privado? Quais são as principais dificuldades que você enfrenta?

Tenho dificuldades e ao mesmo tempo agradeço pois não tenho cobrança de resultados. Ganhei muito dinheiro com o esporte e hoje com a crise e o grande número de pilotos estrangeiros ficou difícil ganhar dinheiro com o esporte ate mesmo para os pilotos que estão em destaque. Hoje eu corro por diversão mas meu foco é o CT.

 

Descreva sua rotina de preparação física e treinos com moto.

Treino pelo menos duas ou três vezes por semana e faço academia com personal duas vezes por semana.

 

Alguns anos atrás, em três oportunidades você disputou a final do AMA Motocross na categoria 250cc, na época na pista de Glen Helen. Conte-nos como foi esta experiência.

A primeira terminei em 20º na geral, na segunda participação tive problemas com a moto,  que quebrou na classificatória e na terceira eu só lembro do momento que entrei na pista, pois levei um tombo muito feio, que me deixou desacordado por mais de um dia.

 

Na sua opinião, o que está faltando para que o motocross brasileiro um dia esteja no mesmo nível que se encontra na Europa e nos EUA?

Acredito que estrutura de um modo geral. O número de corridas no Brasil é muito pequeno e o incentivo para os pilotos é muito fraco.

 

Zenni, muito obrigado pela entrevista e para finalizar, o espaço é seu.

Quero agradecer a todos do site Cross Clube Brasil e a todos que torcem por mim. Fiquem com Deus e na dúvida acelera!!

 

BATE BOLA

Nome completo: Rafael Zenni

Data de Nascimento: 04/08/1986

Cidade Natal: Itu (SP)

Cidade atual: Itu (SP)

Ídolo Nacional: Rogério Nogueira

Ídolo Internacional: Rick Carmichael

Comida favorita: Japonesa

Bebida favorita: Suco de laranja bem feito!!

Lazer favorito: Viajar

Filme favorito: Interestelar 

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