Throwback Thursday: Pedro Lopes
Por: Renato Dalzochio Jr
Em 14/01/2016
Paulista não chegou a conquistar um título na carreira, mas deixou sua marca e foi outro grande ídolo dos anos 90

Na edição deste mês da sessão “Throwback Thursday”, série de entrevistas que relembra a carreira de grandes ídolos de outras gerações do motocross brasileiro, conversamos com Pedro Lopes. O paulista não chegou a conquistar um título em sua carreira, mas mesmo assim, conseguiu deixar a sua marca e se tornou outro grande ídolo da década de 90. Confira a seguir a sua história no motocross. Boa leitura!

 

Pedro, conte-nos um pouco da sua história no motocross. Como descobriu a paixão pelo esporte e como iniciou sua carreira nele?

A paixão pelo esporte surgiu vendo meu pai com suas motos de rua e depois de cross (ele era piloto de final de semana, amante das duas rodas) e também através de um grande amigo nosso, o Zinho Viviani (ex piloto Hollywood Amparo). Eu ia assistir os treinos deles e algumas corridas, já brincava no BMX e em 1992 (aos 12 anos) ganhei minha primeira moto, uma KX 80cc, depois de pedir muito. Aos poucos fui treinando com eles no Hotel Fazenda, que o Zinho tem até hoje e lá fui pegando o gosto e aprendendo, até que comecei a andar mais rápido e ter condições de ir para as competições. Em 1993 já fiz algumas etapas do paulista e em provas regionais comecei a me destacar.

 

Quais foram os principais títulos que você conquistou?

Não tenho um título de campeão brasileiro, passei perto, liderei algumas vezes o Brasileiro de Motocross na categoria 125cc, como em 1999 e 2001, mas o título de campeão não veio, somente o vice no Brasileiro de Supercross em 2001 e dois vice-campeonatos no Paulista de Motocross. Fui um piloto constante, estava sempre entre os cinco primeiros nos campeonatos paulista e brasileiro, entre 1999 e 2002.

 

Quem foram seus principais adversários dentro das pistas? E qual deles foi o mais difícil?

Foram muitos adversários fortes, acho que por isso a grande dificuldade de levar um título. Entre 97 e 99 tinha o Massoud, Paulo Stedille, Rafael Ramos, Balbi, Vatutin Maia, Carlos Maia e de 2000 pra frente alguns subiram para a 250cc e na 125cc ficou o Roosevelt Assunção, Ismael Maia, Douglas Parise, Kristofer Florenzano, entre outras grandes feras. Não dá para citar um nome, cada um tinha um estilo e maneira de vencer, uns muitos fortes e outros muito técnicos e alguns com as duas qualidades.

 

Num aspecto geral, quais são as principais diferenças do motocross brasileiro nos dias atuais em relação a época que você competia?

Acho que o principal ponto é a evolução das motos. As 4 tempos são muito diferentes e quanto as competições, foram se ajustando para o público curtir mais, o tempo das baterias mudou. Ponto ruim é que parece que hoje tem menos motos no gate quando as etapas são longe dos grandes centros. É a impressão que tenho pelo que acompanho de longe e os estaduais, como o Campeonato Paulista de Motocross, que era bem forte, não existe mais. Creio que pesa o elevado custo atual do esporte, que ficou bem caro, dólar alto, manutenção e preço das motos 4 tempos, viagens, distância das etapas, estrutura e acho que as premiações, salários e ajudas de custos não acompanharam essas mudanças aqui no Brasil. O esporte ficou menos acessível. O ponto que acho que vem ajudando é a velocidade da informação: internet, redes sociais, qualidade das imagens, etc... na minha época foram feitos poucos registros comparando a hoje, com Instagram e Facebook. Hoje é muito mais fácil conhecer e seguir um piloto, ver o que faz, o que gosta, onde treina e como vive.

 

Qual foi o momento que mais te marcou positivamente na carreira?

Foi a entrada no time Honda em 2000. Foi o reconhecimento de um trabalho duro e muita dedicação. Era demais estar dentro do melhor time, uma vitrine importante para conseguir mais apoios e ter condições de disputar a ponta. E o mais legal foi logo na primeira etapa do Brasileiro de Motocross em Indaiatuba, na sede da Honda. Ganhei a segunda bateria da 125cc de ponta a ponta, foi sensacional.

 

E qual mais te marcou negativamente?

Em 2003, o ano que eu estava mais preparado e confiante para disputar a 125cc, com os melhores patrocinadores e estrutura, logo na primeira etapa, nos treinos classificatórios, cai e quebrei a mão. Fiquei de fora até agosto daquele ano voltando na quinta etapa sem nenhuma chance de disputar o título. Foi difícil a recuperação, demorei para ficar 100%.

 

Você anda sumido dos holofotes faz algum tempo, ainda compete em provas de motocross ou já pendurou o capacete? E o que faz profissionalmente desde que encerrou sua carreira (caso tenha encerrado)?

Parei naquele ano de 2003, ano que também me formei na faculdade e em 2004 já comecei minha outra carreira. Fiquei sem moto por um bom período, focado em minhas outras atividades, passei pela Publicidade e Propaganda por um ano, mas fui para o mercado financeiro na sequência, onde estou até hoje, trabalhando em Banco de Investimento e Corretora de Valores. Fui comprar um moto em 2009 e até hoje sigo apenas treinando, mas longe das corridas.

Pedro Lopes atualmente ainda treina motocross, mas apenas por diversão

 

Na sua opinião, por que o motocross brasileiro não possui hoje o mesmo prestígio e reconhecimento que já teve em outras épocas?

Essa pergunta é bem difícil. Não acho que houve uma grande mudança, ao meu ver nunca teve o prestígio que os pilotos merecem. O esporte é fantástico, mas é muita dedicação, treino e investimento para pouco reconhecimento, as pessoas não conhecem o motocross, apenas as pessoas do meio. Falta um projeto dedicado aos pilotos, para surgimento de ídolos no esporte, colocando o esporte na TV aberta. Precisamos ter um atleta correndo lá fora (o Enzo Lopes pelo que acompanho está nesse caminho, muito bacana a iniciativa da família e patrocinadores), com uma boa assessoria de imprensa, o atleta tem que estar na mídia. Sonho ver no Esporte Espetacular uma etapa do Brasileiro de Motocross, é o que falta. Exemplo prático, a Stock Car.

 

E o que está faltando para que os nossos campeonatos e pilotos possam um dia chegar no mesmo nível que o motocross se encontra nos EUA e na Europa?

O esporte chegar no mesmo nível não sei se é possível, não tem uma fórmula, existe uma grande barreira cultural, aqui qualquer esporte diferente do futebol sofre para aparecer. Nosso país não é ligado a esse tipo de esporte, acho difícil, sem existir um ídolo as pessoas não vão se interessar e lotarem um estádio, como vemos nos EUA. Mas acho possível um brasileiro andar entre os cinco melhores do mundial com treinamento e equipamento do mesmo nível. Talentos aqui tem e muitos, os brasileiros são guerreiros!! Já daria um grande impulso, motivaria mais atletas e despertaria o interesse das mídias. Temos um outro exemplo, o Surf. Bastou o Medina e o Mineirinho vencerem um mundial para a TV aberta dar destaque. Tudo muda existindo um ídolo.

 

Pedro, muito obrigado pela entrevista e para finalizar, o espaço é seu.

Eu que agradeço, sempre bom falar do esporte que amo e gosto de praticar, além de contar um pouco da minha carreira. Deixo meu recado incentivando os jovens a procurarem sempre por um esporte. A vida disciplinada, as disputas, as vitórias, as derrotas, e as grandes pessoas e amizades, são experiências e lembranças para a vida toda. Agradeço em especial meu pai, grande incentivador no esporte sempre, e ao Mauro Faucon da RM Racing, grande amigo e preparador das minhas motos até hoje, e um grande abraço a todos os pilotos e amigos do motocross.

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