Vintage: Cristiano Lopes
Por: Renato Dalzochio Jr
Em 09/10/2014
Conheça a história do paulista que foi um dos melhores pilotos do motocross brasileiro na década de 90

Voltando com a sessão Vintage, série de entrevistas do Cross Clube Brasil que conta a história de grandes ídolos de décadas passadas do motocross brasileiro, nosso entrevistado desta edição é o paulista Cristiano Lopes, considerado um dos melhores pilotos de sua geração na década de 90. Cristiano foi multicampeão paulista e pentacampeão brasileiro de motocross, além de ter sido campeão latino e sul-americano e ter representado o Brasil três vezes no Motocross das Nações. Hoje ele é Secretário de Esporte e Lazer de Jundiaí, cidade onde reside no interior paulista, além de ser um dos “managers” da equipe Honda/IMS/Vulcano/Ipiranga/Levorin. Confira a seguir a entrevista com ele e conheça um pouco mais da história da sua carreira. Boa leitura!

 

Cristiano, conte-nos um pouco da sua história no motocross. Como descobriu a paixão pelo esporte e como iniciou sua carreira nele?

Começou quando eu tinha aproximadamente 11 anos. Meu irmão e um primo já corriam de forma amadora em provas de Enduro de Velocidade e motocross também. Esse foi meu primeiro passo para gostar das motocicletas. Meu primeiro contato foi em 1989 em provas de Enduro de Velocidade, com uma Honda CR 125cc.

 

Quais foram os principais títulos que você conquistou?

15 vezes campeão paulista de motocross.

Cinco vezes campeão brasileiro de motocross.

Uma vez campeão latino-americano de motocross.

Uma vez campeão sul-americano de motocross.

Participei três vezes do Motocross das Nações.

 

Quem foram seus principais adversários dentro das pistas? E qual deles foi o mais difícil? Por quê?

Eu peguei uma geração muito boa, onde tínhamos pilotos de altíssimo nível e que estavam vindo da gerações da “invasão” dos gringos no país. Isso no final da década de 80. Quando eu comecei em 1990, tinha só 15 anos de idade e de cara entrei na categoria 250cc (2 tempos na época) e enfrentei no campeonato paulista pilotos como Negreti, Saçaki, Rafael Ramos, Ricardo Raspa, Rogério Nogueira, Nuno Narezzi e tantos outros que fizeram história. E nesse mesmo ano me sagrei campeão paulista pela primeira vez. Ao longo da minha carreira tive vários adversários e todos foram dificílimos.

 

Num aspecto geral, quais são as principais diferenças do motocross brasileiro nos dias atuais em relação a época que você competia?

O motocross perdeu muito a visibilidade na mídia televisiva depois de 1996 e com isso não permitiu que a modalidade ficasse mais popular. Exceto o Arena Cross (mais recente), que considero um show sobre duas rodas. As equipes de fábrica cresceram muito em suas estruturas, novos patrocinadores e estão muito mais estruturadas que as equipe de pequeno porte.

 

Qual foi o momento que mais te marcou positivamente na carreira?

Além das minhas partições no Motocross das Nações, foi o título brasileiro de 1995 na 250cc, que conquistei em Indaiatuba (SP). Uma briga intensa nas duas baterias (45 minutos de duração cada uma) com o piloto de Indaiatuba e da mesma equipe que eu, Rogério Nogueira. Briga volta a volta e venci as duas com três segundos de vantagem em cada uma delas. Foi meu bicampeonato brasileiro. Em 1994 tinha sido campeão na 125cc e subi no ano seguinte para a 250cc.

 

E qual mais te marcou negativamente?

Foi uma prova em Mogi das Cruzes, em 1992, onde sofri uma lesão no pé direito, que me tirou das pista durante um ano.

 

Atualmente você é Secretário de Esporte e Lazer de Jundiaí (SP), cidade onde reside. Você sempre esteve envolvido com a política desde que encerrou sua carreira? E está conseguindo contribuir para o motocross através deste cargo público? Qual foi a primeira coisa que fez quando resolveu pendurar o capacete?

Meu envolvimento com a política começou em 2003 a convite de um amigo. Minhas participações eram apartidárias ate então. Quando decidir deixar de ser piloto em 2012, logo apos uma lesão na etapa de Canelinha do Brasileiro de Motocross na MX3, nesse mesmo ano recebi o convite do atual Prefeito Pedro Bigardi para assumir o cargo de secretário a partir de 2013. Também fui convidado pelo amigo Wellington Valadares para chefiar a Equipe Honda/IMS/Vulcano/Ipiranga/Levorin. Apaixonado pelo esporte e já envolvido pela política, aceitei os desafios e estou no meu segundo ano. Aqui procuro incentivar todas as modalidades e principalmente aquelas que são menos tradicionais. Em 2013 trouxe para Jundiaí o Arena cross e repeti a dose em 2014. Foi considerado pelos organizadores o evento que mais arrecadou alimentos para o Fundo Social do município, 7 toneladas, além de proporcionar a 150 crianças carentes a oportunidade de vivênciar a modalidade de perto.

 

Na sua opinião, por que o motocross brasileiro não possui hoje o mesmo prestígio e reconhecimento que já teve em outras décadas?

Ainda estamos num país de terceiro mundo, que dificulta o acesso aos esportes a motor, embora tenhamos avançado um pouco quando os fabricantes começaram a disponibilizar motocicletas nacionais mais acessíveis (na minha época não tinha isso). Precisamos ter mais gestores no poder das federações. Pessoas com visão profissional, menos política e uma união maior entre os pilotos, para conquistarem avanços para a modalidade.

 

E o que está faltando para que os nossos campeonatos e pilotos possam um dia chegar no mesmo nível em que o esporte se encontra nos EUA e na Europa por exemplo?

Paixão pelo que fazemos, por partes dos pilotos, dos organizadores, presidentes de federações e patrocinadores. Quando todos estiverem unidos pelo mesmo objetivo teremos um esporte forte e formador de atletas reconhecidos e principalmente cidadãos.

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